Não posso dizer que te amo. Seria muito.
Exagero. Mas dizer que não há sentimento algum seria mentira. Ilusão, como foi
todo nosso tempo. Algo que foi perdido e encontrado. Não uma, nem duas, várias vezes,
por mim e por você. Não são os beijos, nem mesmo as palavras, as mesmas ditas cheias
de sentimentos e vazias de liberdade, são os olhares. Vejo em seus olhos (e que
lindos olhos), que algo acontece quando você me nota. Sei que existo em você,
mesmo que seja em algum sentimento medíocre e egoísta, algo inacabado, guardado
para suas horas de fúria e desespero. Algo como um “anjo”, ou uma peça rara.
Não imagino como você me imagina. Nem mesmo se isso acontece. Mas você sabe, e
é só você, por que isso ocorre entre essas duas almas, destinadas a se conhecerem
antes mesmo de se verem. E não é de hoje, sempre foi e sempre será assim.
Sentimentos incoerentes. Algo inexistente. É assim. Eu. Você. As inadequadas
oportunidades que nos sobram. E o resto.
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