Me
desculpe por ter tomado a iniciativa. Me desculpe por ter escrito. Me desculpe
por ter ligado. Me desculpe por eu ter voz. Me desculpe por ter dito sim.(...) Me desculpe por eu
ter voz. Me desculpe pelos machucados que
sua ex deixou em você. Me desculpe por eu ter vindo logo atrás dela. Me
desculpe por querer entender seu silêncio. Me desculpe por eu ter voz. Me desculpe por eu não ter usado máscara. Me desculpe por desejar alguma intensidade. Me
desculpe por desejar. Me desculpe por eu ter voz. Me desculpe pelo que foi ruim. Me desculpe pelo que foi
bom. Me desculpe pelo atrevimento de supor que eu merecia o que de bom
aconteceu. Me desculpe por eu ter voz.(...) Me
desculpe por eu ter escrito coisas lindas para você. Me desculpe por você não
ter entendido um terço do que eu escrevi. Me desculpe por você ter me achado
ousada demais. Me desculpe por eu ter voz. Me
desculpe por, em algum momento, eu ter te amado. Me desculpe por, em algum
momento, eu ter te achado bonito. Me desculpe por, em algum momento, eu ter me
achado bonita. Me desculpe por eu ter voz. Me
desculpe pelos seus erros de português. Me desculpe pelos erros de português da
sua nova namorada. Me desculpe pela sua nova namorada achar margarida uma flor
pobre. Me desculpe por eu ter voz. Me
desculpe por você torcer para o Palmeiras. Me desculpe se uma barata entrar na
sua cozinha algum dia. Me desculpe pelos 130 km de congestionamento em São
Paulo agora. Me desculpe por eu ter voz. Mas,
sobretudo, me desculpe por pedir essas ridículas, inúteis e dolorosas
desculpas. Que, naturalmente, não são para você, afinal, porcos não reconhecem
pérolas.
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